terça-feira, 18 de junho de 2013

Ferrugem e Osso


Finalmente, chega ao Brasil o drama francês Ferrugem e Osso. Na ocasião de seu lançamento na Europa, muita gente (incluindo esta que vos escreve) acreditava que Marion Cottillard seria indicada ao Oscar, o que não aconteceu, contribuindo para atrasar em quase um ano a chegada do longa ao nosso circuito comercial. Até agora, o filme havia sido exibido por aqui somente no Festival do Rio e no Festival Varilux do Cinema Francês.

A trama narra um amor fragmentado entre dois rebeldes que, de uma forma ou outra, pagam caro por sua liberdade. Ali está sem casa, desempregado e às voltas com um filho de cinco anos com o qual não sabe lidar. A única solução que encontra é morar de favor na garagem da irmã em Antibes, no sul da França. Stéphanie é independente, explosiva e trabalha como treinadora de baleias em um parque aquático. Eles se conhecem quando Ali, trabalhando como leão de chácara em uma boate, a defende de uma briga, mas logo a seguir se estranham. Os dois voltam a se encontrar depois que Stéphanie sofre um terrível acidente e o modo franco e direto de Ali acaba ajudando-a a reagir, ao mesmo tempo em que também ele começa a se sentir ligado a ela.


Jacques Audiard, o mesmo diretor e roteirista de O Profeta, põe em cena todos os elementos de um melodrama convencional, mas sabe contar sua história sem resvalar na pieguice nem nos julgamentos morais. Pelo contrário, Ferrugem e Osso é um filme que exala coragem. Em vez de ser mais um de tantos filmes de superação com lições de vida, o filme abraça sem ressalvas esta ousada história de amor inesperada e raivosa entre duas pessoas cheias de traumas, na qual a ferrugem e o osso não são limitações para a reinvenção do prazer e a descoberta de novos sentimentos.

Claro que grande parte do mérito cabe aos protagonistas Matthias Schoenaerts e Marion Cottillard, em especial a esta última. Sua personagem passa pelos mais diferentes estágios e Marion transpira verdade em cada um deles, mostrando-se totalmente despida de vaidade ou pudor sempre que necessário. Podemos dizer que este trabalho da atriz é tão impressionante quanto aquele que lhe deu o Oscar (Piaf, 2007), o que torna inexplicável que a Academia tenha simplesmente esquecido dela – ainda mais considerando que a seleção de indicadas deste ano não foi das mais fortes.

Comovente, poético e um tantinho incômodo, Ferrugem e Osso estreia nesta sexta. Não deixem de conferir. 

sábado, 15 de junho de 2013

Marco Vichi e os mistérios de Firenze

Não tem a mínima ideia de quem seja Marco Vichi? Não precisa se sentir desinformado, caro leitor. Eu também nunca tinha sequer ouvido falar nele até o ano passado, mas tudo mudou depois de ter vivido por alguns meses em Firenze, cidade natal do escritor. Vichi é um prestigiado autor do gênero policial famoso em toda a Itália, mas um verdadeiro mito em Firenze. Vale dizer que o próprio estilo policial noir (ou romanzo giallo, em italiano) atrai muito a atenção do leitor italiano. Se aqui no Brasil esse gênero de literatura costuma ocupar no máximo uma prateleira em meio às estantes de ficção, nas livrarias italianas existem setores inteiros dedicados a ele.

Marco Vichi é um fiorentino de 55 anos que fez sua estreia literária em 1999 com o romance L’Inquilino. Três anos depois, Vichi inicia a série protagonizada pelo Comissário Bordelli, personagem que o tornaria conhecido em toda a Europa. As tramas são ambientadas na Firenze dos anos 60 e o inspetor de polícia Franco Bordelli está sempre às voltas com crimes misteriosos e horrendos que desafiam sua coragem e perspicácia. Com um senso de moral todo próprio, o policial muitas vezes se sente mais à vontade entre malfeitores de bom coração do que entre as chamadas “pessoas de bem”. Solteirão convicto, Bordelli tem ainda um fraco por mulheres jovens, bonitas e independentes. Até o momento, o autor dedicou cinco romances ao personagem: Il Comissario Bordelli, Una Brutta Faccenda, Il Nuovo Venuto, Morte a Firenze e La Forza del Destino. Bordelli aparece, ainda, na graphic novel Morto Due Volte.

A literatura de Marco Vichi é altamente recomendável a todos os apreciadores do gênero, mas especialmente aos leitores de Luiz Alfredo Garcia-Roza. Não são poucas as semelhanças entre o Comissário Bordelli e o delegado Espinosa de Garcia-Roza. Mas a literatura de Vichi vai além de seu personagem mais famoso. O autor também escreveu outros ótimos romances e diversas coletâneas de contos, sendo ainda curador de tantas outras, sempre dentro do gênero policial/noir. O denominador comum a toda sua obra é a incrível capacidade de prender a atenção do leitor, além da ironia fina e das descrições precisas de Firenze e das localidades em seu entorno (especialmente deliciosas para quem conhece a região). Mais recentemente, o escritor vem expandindo sua arte também para o teatro e para roteiros televisivos, além de ministrar cursos e laboratórios de criação na Universidade de Firenze. Vichi também escreve para diversos jornais e revistas italianos.

Marco Vichi venceu o prêmio literário Fedeli com Il Nuovo Venuto (2004) e o Giorgio Scerbanenco e o Camaione com Morte a Firenze (2009/2010). Coincidência ou não, são justamente esses dois livros os meus favoritos. Vichi ainda não foi publicado aqui no Brasil, mas em Portugal sim. Então quem tiver interesse e não puder lê-lo no original tem a opção de buscar as edições lusitanas. Fica a dica, vale muito a pena conhecer esse escritor. 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Segredos de Sangue


Eis que o coreano Park Chan-Wook (ou Chan-Wook Park) faz sua aguardada estreia em Hollywood. Conhecido por seus filmes lindamente violentos, o cineasta responsável por longas como Old Boy, Lady Vingança e, mais recentemente, Sede de Sangue traz seu estilo peculiar e impactante para esta coprodução entre Estados Unidos e Inglaterra. Podemos dizer que Chan-Wook se sai bem na tarefa, pois consegue fazer um longa mais ocidentalizado sem abrir mão do seu característico senso estético e de seus personagens cheios de perturbações emocionais.

A trama é centrada em India Stoker, uma garota inteligente e meio fora dos padrões que recebe a notícia da morte do adorado pai no dia de seu aniversário de dezoito anos. Durante o funeral, India conhece Charlie, um irmão mais novo de seu pai de quem ela nunca tinha ouvido falar. Desse dia em diante, Charlie se aloja em sua casa e não dá sinais de querer ir embora. Sua mãe, Evelyn, parece encantada, já que Charlie lhe lembra uma versão jovem do falecido marido e uma época anterior e mais feliz de seu casamento, mas India percebe que algo não se encaixa nas histórias contadas pelo tio.


Mia Wasikowska convence como India Stoker, embora não se saiba se isso é um mérito da direção, já que a jovem vem trabalhando em bons filmes e com bons cineastas, mas ainda não demonstrou uma personalidade própria como atriz. Nicole Kidman interpreta Evelyn no piloto automático e sua presença não faz absolutamente nenhuma diferença para o filme. Muito pouco para alguém de quem sempre se espera algum lampejo da estrela incrível de tempos passados. A boa surpresa é o britânico Matthew Goode, dono de uma filmografia bastante variada, mas, até então, inexpressiva. Goode faz uma boa composição de Charlie, sempre com um pé no perigo e outro na sedução.

Segredos de Sangue é um filme que demora um pouco a mostrar do que é feito. Seu início é bastante lento, embora dê sinais de que aquela placidez está para ser destruída. Talvez a progressão lenta seja intencional, para que a trama entre no mesmo compasso do senso de letargia no qual vive a protagonista. Conforme India vai se dando conta do que acontece à sua volta e desperta para a realidade, também o ritmo do filme começa a se acelerar e a finalmente se parecer mais com um filme de Park Chan-Wook. Certamente não é um longa tão assumidamente violento como Old Boy nem tão psicologicamente perturbador como Sede de Sangue, mas, ainda assim, podemos dizer que o sangue de Chan-Wook corre nas veias do filme. Um pouco mais diluído, é verdade, mas seu DNA ainda é reconhecível. 


Amanhã nos cinemas. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Bates Motel chega ao Brasil


Antes tarde que nunca. A excelente série Bates Motel, que encerrou há pouco sua primeira temporada nos Estados Unidos e já tem a segunda confirmada, foi comprada pelo Universal Channel e faz sua estreia em terras brasileiras no dia 4 de julho. À frente do elenco, Vera Farmiga e Freddie Highmore.

Para saber mais sobre a série, clique aqui

domingo, 9 de junho de 2013

Blue Jasmine - trailer

Foi divulgado o primeiro trailer oficial de Blue Jasmine, mais recente longa de Woody Allen. Em sua primeira parceria com o cineasta, Cate Blanchett interpreta uma mulher que viveu uma vida de sonho com seu rico príncipe encantado e acordou no pesadelo de se ver falida e obrigada a pedir abrigo à irmã e ao cunhado que até então desprezava. Depois de vários filmes rodados na Europa – Paris, Londres, Roma, Barcelona –, Allen volta a filmar nos Estados Unidos, mas não em sua amada Nova Iorque e sim nas ladeiras de San Francisco. O elenco traz ainda Sally Hawkins, Alec Baldwin, Michael Stuhlbarg e Peter Sarsgaard.

Blue Jasmine estreia nos Estados Unidos no dia 26 de julho. Aqui no Brasil, ainda não se sabe. Enquanto isso, confiram o trailer.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

O Grande Gatsby


O Grande Gatsby foi o filme de abertura do último Festival de Cannes. Pompa e circunstância à parte, desde então o novo trabalho do australiano Baz Luhrmann vem sendo tratado com indisfarçável má vontade pela crítica especializada. Teriam os críticos torcido o nariz pelo simples fato de ser uma superprodução? Ou teriam se incomodado com o uso da tecnologia 3D para recontar um clássico? Ou estaria Luhrmann ainda sendo perseguido por conta de seu longa anterior, Austrália? Depois de assistir ao filme, é impossível não se fazer estas e algumas outras perguntas do gênero.  

Esqueçamos os tropeços de Austrália. Em O Grande Gatsby Baz Luhrmann volta com tudo ao seu característico estilo frenético e exuberante. Com muitas cores fortes, luz, música, figurinos deslumbrantes, travellings estonteantes – ainda mais vertiginosos pelo bom uso do 3D – e uma concepção totalmente operística, Luhrmann carrega o espectador para dentro de um universo delirante e superlativo. Em vez do cancan, agora o charleston dá o tom; no lugar do narrador que viveu ele mesmo uma paixão avassaladora, agora o relato vem de um observador mais distanciado; diferenças existem, mas a vibração e a atmosfera são incrivelmente semelhantes à de Moulin Rouge. E, embora não seja um musical, também este filme se destaca pelo uso criativo de canções já conhecidas em sua trilha sonora – atenção para a cena com Back to Black ao fundo. Resumindo, estariam criticando Baz Lurhmann por ser muito... Baz Lurhmann? Simplesmente não dá para entender.


Baseada no célebre romance de F. Scott Fitzgerald, a trama gira em torno de Jay Gatsby, milionário excêntrico e misterioso que oferece sucessivas festas em uma mansão nos arredores de Nova Iorque nos prósperos anos 20. Todos conhecem o seu nome e frequentam sua casa sem precisar de convite, mas ninguém parece conhecer sequer o rosto do homem por trás de tanto glamour. Especula-se de tudo a respeito de Gatsby, mas quem é ele e de onde vem sua fortuna? Gatsby é, na verdade, um homem com um único propósito: chamar a atenção de seu amor perdido e recuperá-lo. Para isso, está disposto a tudo e não hesita em escrever para si mesmo uma nova e mais interessante biografia.

A história é narrada pelo aspirante a escritor Nick Carraway, que mora ao lado da mansão e aos poucos se torna o único amigo genuíno de Gatsby. Não deixa de ser curioso que o papel seja interpretado por Tobey Maguire, que na vida real é amigo de infância de Leonardo DiCaprio. Com um misto de curiosidade e fascínio, vemos aquele universo de luxo, exageros e aparências através dos olhos de Nick. Também o espectador é um recém-chegado a quem se deve impressionar. Num segundo momento, o ritmo se acalma para que possa florescer o conflito e é então que, conforme passamos a conhecer o verdadeiro Jay, o longa passa a ser mais emotivo do que entorpecente.


Leonardo DiCaprio vem provando, há bastante tempo, que é um ator extraordinário e que possui total domínio do que faz, superando-se a cada personagem. Como Gatsby, transmite com perfeição as nuances de um homem cheio de charme e magnetismo, porém com um passado que quer esconder a todo custo. Tal como Sherazzade, Jay sobrevive contando fábulas e acredita poder comprar respeitabilidade, classe, finesse. E nos seduz com seu melhor sorriso e seu mundo milimetricamente construído, ao mesmo tempo em que deixa entrever o quão frágil é a fantasia que criou a seu redor.

Já Carey Mulligan encarna uma espécie de musa diáfana, representando mais um ideal de felicidade do que uma pessoa de verdade. Vale dizer que tanto Gatsby como Nick tem essa visão de Daisy, o que torna difícil tanto para os personagens como para o espectador desvendar a sua real personalidade. Tobey Maguire parece sempre carregar a expressão lesada de Peter Parker, o que se encaixa muito bem com o papel de Nick Carraway. A boa surpresa é Joel Edgerton, que vence a tentação de transformar Tom Buchanan em um mero vilão insensível e compõe seu personagem de forma mais subjetiva. Uma curiosidade é ver o astro indiano Amitabh Bachchan (aquele por cujo autógrafo o protagonista de Quem Quer Ser um Milionário mergulha na latrina) como um dos associados de Gatsby.


É bem verdade que Moulin Rouge segue inabalável no posto de obra-prima de Baz Luhrmann, mas isso não diminui o valor de O Grande Gatsby. Trata-se aqui de cinemão no bom sentido: um visual impecável, uma história poderosa e um elenco fabuloso, tudo sob a batuta de um cineasta cheio de estilo e originalidade, que sabe como poucos criar magia na tela. Sexta nos cinemas.

sábado, 1 de junho de 2013

Perugia, Assisi, Spoleto e Orvieto – Um giro pela Umbria

Perugia, a capital da região (Foto: Erika Liporaci)

Umbria. Esta região italiana montanhosa e, ao mesmo tempo, verdíssima é considerada por muitos como somente a ligação entre o Lazio (onde se situa Roma e o Vaticano) e a turística Toscana. Não exatamente. Em se tratando do bel paese, nenhuma região é meramente passagem e a Umbria tem muito mais a oferecer para quem estiver disposto a dedicar um tempinho para conhecê-la. O viajante que estiver baseado em Roma ou Firenze, por exemplo, pode visitar as principais cidades da Umbria em pequenas viagens de ida e volta, sem necessidade de pernoite.

A região, famosa por seu vinho encorpado e seu azeite puríssimo, é repleta de cidadezinhas medievais incrustadas na montanha. Tentar alcançá-las diretamente de automóvel é um pouco complicado, a melhor opção é chegar de trem na parte baixa e, de lá, utilizar o transporte público para a parte histórica. Perugia, a capital da província, possui um eficiente “minimetrô” que carrega os visitantes montanha acima. Perugia é conhecida principalmente pela excelência de seus chocolates (no mês de outubro, costuma acontecer um festival dedicado a esse alimento dos deuses) e pela sua universidade voltada a estudantes estrangeiros e, portanto, uma grande referência no ensino da língua italiana mundo afora.

Piazza IV Novembre, ponto central de Perugia (Foto: Erika Liporaci)

Perugia é uma cidade bem bonita, com construções medievais imponentes, como as que rodeiam a Piazza IV Novembre, onde se situam o Duomo e a famosa Fontana Maggiore, com suas figuras do zodíaco. Um pouco afastada desse núcleo, mas a apenas alguns minutos de caminhada, fica a torre Cassero di Porta Sant'Angelo e sua impressionante vista panorâmica. Vale a pena ver toda a cidade ainda mais do alto. Quase ao lado, fica a charmosa Chiesa di San Michele Arcangelo, uma igrejinha circular com ares de templo pagão. Uma graça!

Basilica di San Francesco, em Assisi (Foto: Erika Liporaci)

Assisi costuma atrair católicos italianos e estrangeiros em busca das graças do santo mais famoso do país, Francesco di Assisi. A Basilica di San Francesco foi sempre tão tumultuada em qualquer época do ano que pouco tempo depois da construção da original (século XII) começou a construção de uma segunda sobre esta, por isso hoje em dia fala-se em Basilica Superiore e Basilica Inferiore. Religiosidade à parte, Assisi é uma bela cidade na qual se come muito bem. Uma boa pedida é sentar-se em um restaurante na Piazza del Comune e degustar o bom vinho regional. Ponto negativo? Das quatro cidades contempladas neste texto, é a que possui o transporte público mais deficiente: o ônibus que faz a ligação com o centro histórico demora mais do que seria aconselhável em um lugar que recebe tantos visitantes.   

Spoleto, nome conhecido por aqui devido à rede de restaurantes, é uma cidadezinha bem tranquila que tem seu ponto alto entre os meses de junho e julho, quando lá acontece o Festival dei Due Mondi, evento dedicado a diversas atividades culturais, tais como música, cinema, dança, teatro e artes plásticas. Durante o evento, artistas de todas as partes da Itália e até mesmo do exterior vem a Spoleto apresentar-se. O Festival, que já está em sua 56ª edição, acontecerá este ano entre os dias 28 de junho e 14 de julho.

Ponte delle Torri, em Spoleto (Foto: Erika Liporaci)

Um ponto de Spoleto que parecerá particularmente curioso para o visitante carioca é a Ponte delle Torri, aqueduto que data do século XIV e, ao contrário daquele da Lapa, encontra-se em meio à natureza. A pouca distância situa-se a Rocca Albornoziana, belíssimo castelo que, em conjunto com o aqueduto, forma a vista mais bonita de Spoleto.

Orvieto é a menorzinha das quatro e talvez seja justamente por isso que me pareceu a mais encantadora. O Duomo de Orvieto – ou Cattedrale di Santa Maria Assunta – é um dos mais impressionantes de toda a Itália, com sua fachada em mosaicos com pedacinhos de mármore colorido e seu interior repleto de detalhes deslumbrantes, com destaque para a Cappella di San Brizio, com afrescos do Beato Angelico e de Luca Signorelli. Ao lado do Duomo há, ainda, o ótimo Museo Archeologico.

O magnífico Duomo de Orvieto (Foto: Erika Liporaci)

Outra atração interessante é o Pozzo di San Patrizio, construído entre 1527 e 1537 por ordem do Papa Clemente VII, visando prevenir-se em caso de necessidade de retirar-se de Roma  Orvieto, mesmo situando-se em outra região, fica relativamente perto de Roma. O visitante que não for claustrofóbico pode descer cinquenta e três metros e apreciar os curiosos degraus em espiral dupla  ou seja, a escada de descida e a de subida não se encontram. Vale lembrar que a profundidade do poço equivale mais ou menos à Torre de Pisa, só que para dentro da terra. Assim como em Perugia, um trenzinho, este chamado funicolare, faz a ligação com o centro histórico de forma rápida e eficiente.

Confiram abaixo algumas imagens adicionais desta bela região:

Perugia vista do Cassero di Porta Sant'Angelo (Foto: Erika Liporaci)

Chiesa di San Michele Arcangelo, em Perugia (Foto: Erika Liporaci)

Peregrinos vão à cripta de San Francesco buscando ou agradecendo milagres (Foto: Erika Liporaci)

Asssi (Foto: Erika Liporaci)

A Piazza del Comune, em Assisi (Foto: Erika Liporaci)

Um inesperado recanto de tranquilidade na tumultuada Assisi (Foto: Erika Liporaci)

A verdíssima Spoleto (Foto: Erika Liporaci)

A Ponte delle Torri e, ao fundo, a Rocca Albornoziana (Foto: Erika Liporaci)

Spoleto (Foto: Erika Liporaci)

A Piazza del Duomo de Orvieto (Foto: Erika Liporaci)

Detalhe da fachada do Duomo de Orvieto (Foto: Erika Liporaci)

O Pozzo di San Patrizio (Foto: Erika Liporaci)

Orvieto (Foto: Erika Liporaci)

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Coletiva de Imprensa de Se Beber, Não Case – Parte III


Dando sequência ao evento de lançamento do filme Se Beber, Não Case – Parte III, aconteceu nesta quarta-feira (29) a coletiva de imprensa no Morro da Urca. Deveria ocorrer também uma sessão de fotos, mas a mesma foi cancelada de última hora. Outra alteração no programa foi a ausência do ator Zach Galifianakis, que interpreta o tresloucado Alan na trilogia. Segundo a assessoria, o ator não pode comparecer ao evento por ter medo de altura.

O credenciamento dos jornalistas ocorreu entre nove e dez horas da manhã, mas a coletiva propriamente dita só começou algumas horas depois. Aparentemente, porque o astro Bradley Cooper resolveu dar um mergulho na praia de Ipanema. Por volta de meio-dia e meia, finalmente o diretor Todd Phillips e os atores Bradley Cooper, Ed Helms, Justin Bartha, Ken Jeong e Heather Graham puderam começar a responder às perguntas dos presentes. A exemplo do ocorrido na première, Jeong e Graham foram os que se mostraram mais simpáticos.

Um dos fatores que causou mais estranheza em relação a este terceiro longa foi a decisão de mudar a estrutura da história e eliminar a ideia original, ou seja, os personagens acordarem de ressaca sem saber o que havia acontecido na noite anterior. Todd Phillips, que também é um dos roteiristas, disse que procurou fazer um retrospecto de tudo o que havia acontecido nos outros dois filmes para, desse modo, realizar um encerramento:

“Os dois primeiros filmes são praticamente iguais, e nós achamos engraçado que acontecesse a mesma coisa duas vezes com aquelas pessoas, mas agora a intenção era outra. É como se eles tivessem que pagar pelas loucuras que fizeram antes.” Perguntando sobre um quarto longa, Phillips descartou a possibilidade: “Para mim, esse realmente é o final, sobretudo porque a conclusão tem a ver com o Alan e com o crescimento dele. A gente se adora, mas não vai ter outro filme. Este é o final mesmo.”

Ken Jeong (o vilão cômico Mr. Chow) declarou-se muito feliz em ter sido chamado para participar deste filme, já que o seu personagem ganha bastante destaque na trama. O ator contou que era médico e abandonou a carreira há oito anos para se dedicar ao sonho de trabalhar como ator. “Para mim, é tudo ainda meio surreal”, concluiu. Jeong, sempre risonho e falante, ainda divertiu os jornalistas ao falar com a voz de Mr. Chow e contou que a esposa o ajudou a criar aquele sotaque exagerado e caricatural.

Bradley Cooper, de um modo geral contido e com ar alheio, só deixava as reservas de lado para louvar o diretor, o qual não parava de classificar como um dos melhores da atualidade. “O primeiro filme estabeleceu um padrão e a gente queria que ele se repetisse nos outros. A cada dia eu me sentia grato por estar ali”, elogiou. Cooper foi tão efusivo que Phillips pediu, entre risos, que ele repetisse o que havia dito em português porque queria ter certeza de que todos haviam entendido.

Ed Helms e Heather Graham elogiaram o espírito de equipe e o bom entrosamento do elenco. Helms revelou que as fotos que aparecem ao final dos dois primeiros filmes foram tiradas espontaneamente ao longo das filmagens, sempre que surgia um momento divertido ou uma inspiração. Outra curiosidade foi saber que o bebê Carlos, que é carregado para lá e para cá no primeiro filme e volta a aparecer neste, é interpretado pela mesma criança. Sobre o humor politicamente incorreto, Todd Phillips sentenciou:

“A gente nunca pensa se está sendo politicamente correto ou não, nossa intenção é que seja engraçado.”

Tempo regulamentar encerrado, todos se retiraram da sala sem possibilidade de perguntas adicionais ou fotos ilustrativas. Todd Phillips chegou a comentar durante a coletiva que estava feliz pela última etapa da campanha de divulgação do filme ter acontecido aqui no Rio, mas a impressão que ficou para os presentes não foi exatamente essa. Vale lembrar que não era permitido fotografar a coletiva e, com o cancelamento da sessão de fotos, somente as equipes de filmagem puderam captar imagens. Mesmo sem a famosa bebedeira amnésica em seu enredo, Se Beber, Não Case – Parte III acabou causando dor de cabeça.


Foto discreta do espaço da coletiva (ainda sem a presença dos astros, é claro) by Erika Liporaci

terça-feira, 28 de maio de 2013

Première de Se Beber, Não Case agita o Rio

O Centro do Rio de Janeiro ferveu nesta terça-feira chuvosa com a première do terceiro longa da franquia Se Beber, Não Case. O elenco em peso veio para a exibição e causou frisson na Cinelândia. Passaram pelo tapete vermelho os atores Bradley Cooper, Ed Helms, Heather Graham, Justin Bartha, Ken Jeong e Zach Galifianakis, além do diretor Todd Phillips. Além da beleza de Cooper, chamaram atenção ainda a elegância de Heather Graham e a euforia de Ken Jeong. Amanhã, todos participarão de uma coletiva de imprensa. Aguardem.

Bradley Cooper e Todd Phillips (Foto: André Moreira)

Heather Graham entre Phillips e Justin Bartha (Foto: André Moreira)

Ken Jeong, o Mr. Chow, e suas brincadeiras (Foto: André Moreira)

Elenco e diretor reunidos antes da sessão (Foto: André Moreira)


domingo, 26 de maio de 2013

Palma de Ouro fica em casa

Abdellatif Kechiche recebe o carinho de suas estrelas Adele Exarchopoulos e Lea Seydoux

Apesar da nacionalidade tunisiana de seu diretor, podemos dizer que a Palma de Ouro 2013 fica na França. O grande vencedor de Cannes 2013 foi o drama francês La Vie d’Adele – Chapitre 1 &2, de Abdellatif Kechiche. O cotado filme dos irmãos Coen, Inside Llewyn Davis, acabou ficando com o Grand Prix, enquanto outros concorrentes de peso como La Grande Bellezza saíram de mãos abanando. No mais, a premiação da atriz Bérénice Bejo (revelada para o mundo em O Artista) aumenta ainda mais a expectativa em torno do novo filme do iraniano Ashgar Farhadi (A Separação). Confiram abaixo os premiados da mostra oficial:

Longas
Palma de Ouro – La Vie d’Adele – Chapitre 1 &2
Grande Prêmio – Inside Llewyn Davis
Direção – Amat Escalante, por Heli
Roteiro – Jia Zhangke, por Tian Zhu Ding (A Touch of Sin)
Atriz – Bérénice Bejo, por Le Passé
Ator – Bruce Dern, por Nebraska
Prêmio do Júri – Soshite Chichi NI Naru (Like Father, Like Son)
Prêmio Vulcain – Grigris

Curtas
Palma de Ouro – Safe
Menção Especial – Hvalfjörður / 37º4 S