Perugia, a capital da região (Foto: Erika Liporaci)
Umbria.
Esta região italiana montanhosa e, ao mesmo tempo, verdíssima é considerada por
muitos como somente a ligação entre o Lazio (onde se situa Roma e o Vaticano) e
a turística Toscana. Não exatamente. Em se tratando do bel paese, nenhuma região é meramente passagem e a Umbria tem muito
mais a oferecer para quem estiver disposto a dedicar um tempinho para conhecê-la.
O viajante que estiver baseado em Roma ou Firenze, por exemplo, pode visitar as
principais cidades da Umbria em pequenas viagens de ida e volta, sem
necessidade de pernoite.
A
região, famosa por seu vinho encorpado e seu azeite puríssimo, é repleta de cidadezinhas medievais incrustadas na montanha. Tentar alcançá-las
diretamente de automóvel é um pouco complicado, a melhor opção é chegar de trem
na parte baixa e, de lá, utilizar o transporte público para a parte histórica.
Perugia, a capital da província, possui um eficiente “minimetrô” que carrega os
visitantes montanha acima. Perugia é conhecida principalmente pela excelência
de seus chocolates (no mês de outubro, costuma acontecer um festival dedicado a
esse alimento dos deuses) e pela sua universidade voltada a estudantes
estrangeiros e, portanto, uma grande referência no ensino da língua italiana
mundo afora.
Piazza IV Novembre, ponto central de Perugia (Foto: Erika Liporaci)
Perugia
é uma cidade bem bonita, com construções medievais imponentes, como as que
rodeiam a Piazza IV Novembre, onde se
situam o Duomo e a famosa Fontana
Maggiore, com suas figuras do zodíaco. Um pouco afastada desse núcleo, mas
a apenas alguns minutos de caminhada, fica a torre Cassero di Porta Sant'Angelo e sua impressionante vista panorâmica. Vale a pena ver toda a cidade ainda mais do alto. Quase ao lado, fica a charmosa Chiesa di San Michele Arcangelo, uma igrejinha circular com ares de templo pagão. Uma graça!
Basilica di San Francesco, em Assisi (Foto: Erika Liporaci)
Assisi
costuma atrair católicos italianos e estrangeiros em busca das graças do santo
mais famoso do país, Francesco di Assisi. A Basilica
di San Francesco foi sempre tão tumultuada em qualquer época do ano que pouco
tempo depois da construção da original (século XII) começou a construção de uma
segunda sobre esta, por isso hoje em dia fala-se em Basilica Superiore e Basilica
Inferiore. Religiosidade à parte, Assisi é uma bela cidade na qual se come
muito bem. Uma boa pedida é sentar-se em um restaurante na Piazza del Comune e degustar o bom vinho regional. Ponto negativo? Das
quatro cidades contempladas neste texto, é a que possui o transporte público
mais deficiente: o ônibus que faz a ligação com o centro histórico demora mais
do que seria aconselhável em um lugar que recebe tantos visitantes.
Spoleto,
nome conhecido por aqui devido à rede de restaurantes, é uma cidadezinha bem
tranquila que tem seu ponto alto entre os meses de junho e julho, quando lá acontece
o Festival dei Due Mondi, evento dedicado
a diversas atividades culturais, tais como música, cinema, dança, teatro e
artes plásticas. Durante o evento, artistas de todas as partes da Itália e até
mesmo do exterior vem a Spoleto apresentar-se. O Festival, que já está em sua
56ª edição, acontecerá este ano entre os dias 28 de junho e 14 de julho.
Ponte delle Torri, em Spoleto (Foto: Erika Liporaci)
Um
ponto de Spoleto que parecerá particularmente curioso para o visitante carioca é
a Ponte delle Torri, aqueduto que data do século XIV e, ao contrário daquele da Lapa, encontra-se em meio à natureza. A pouca distância situa-se a Rocca Albornoziana, belíssimo castelo que, em conjunto com o aqueduto, forma a vista mais bonita de Spoleto.
Orvieto é a menorzinha das quatro e talvez seja justamente por isso que me pareceu a mais encantadora. O Duomo de Orvieto – ou Cattedrale di Santa Maria Assunta – é um dos mais impressionantes de toda a Itália, com sua fachada em mosaicos com pedacinhos de mármore colorido e seu interior repleto de detalhes deslumbrantes, com destaque para a Cappella di San Brizio, com afrescos do Beato Angelico e de Luca Signorelli. Ao lado do Duomo há, ainda, o ótimo Museo Archeologico.
O magnífico Duomo de Orvieto (Foto: Erika Liporaci)
Outra atração interessante é o Pozzo di San Patrizio, construído entre 1527 e 1537 por ordem do Papa Clemente VII, visando prevenir-se em caso de necessidade de retirar-se de Roma – Orvieto, mesmo situando-se em outra região, fica relativamente perto de Roma. O visitante que não for claustrofóbico pode descer cinquenta e três metros e apreciar os curiosos degraus em espiral dupla – ou seja, a escada de descida e a de subida não se encontram. Vale lembrar que a profundidade do poço equivale mais ou menos à Torre de Pisa, só que para dentro da terra. Assim como em Perugia, um trenzinho, este chamado funicolare, faz a ligação com o centro histórico de forma rápida e eficiente.
Confiram abaixo algumas imagens adicionais desta bela região:
Perugia vista do Cassero di Porta Sant'Angelo (Foto: Erika Liporaci)
Chiesa di San Michele Arcangelo, em Perugia (Foto: Erika Liporaci)
Peregrinos vão à cripta de San Francesco buscando ou agradecendo milagres (Foto: Erika Liporaci)
Asssi (Foto: Erika Liporaci)
A Piazza del Comune, em Assisi (Foto: Erika Liporaci)
Um inesperado recanto de tranquilidade na tumultuada Assisi (Foto: Erika Liporaci)
A verdíssima Spoleto (Foto: Erika Liporaci)
A Ponte delle Torri e, ao fundo, a Rocca Albornoziana (Foto: Erika Liporaci)
Spoleto (Foto: Erika Liporaci)
A Piazza del Duomo de Orvieto (Foto: Erika Liporaci)
Detalhe da fachada do Duomo de Orvieto (Foto: Erika Liporaci)
O Pozzo di San Patrizio (Foto: Erika Liporaci)
Orvieto (Foto: Erika Liporaci)